Transplante: um coração artificial que salva crianças


A fila do transplante de órgãos costuma reservar momentos angustiantes para quem precisa substituir uma parte em mau funcionamento no corpo e aguarda por um doador compatível, algo que nem sempre ocorre em tempo hábil.

A falta de algum componente importante para o organismo pode resultar em problemas que vão desde um pequeno inconveniente para quem precisa de um enxerto de pele ou ossos, de um problema causador de grandes limitações (como a falta dos rins) ou até mesmo a morte, como é o caso de órgãos vitais, entre eles o coração.

A situação se agrava quando a pessoa nessa fila de espera é uma criança. Recém-nascidos muitas vezes apresentam má-formação no órgão e precisam de um transplante. Infelizmente, muitos vêm a óbito antes que algum coração esteja disponível para o transplante.

Como uma máquina

Ainda não chegamos ao ponto em que será possível fabricar novas partes para o corpo humano, sejam elas cibernéticas, como na ficção, ou feitas a partir de células tronco, como apontam as possibilidades.

Um coração artificial ainda não é totalmente viável como substituto definitivo para o original, porém graças ao trabalho realizado no Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, as crianças que estão nessa fila aguardando por um doador ganharam uma sobrevida.

O coração artificial, desenvolvido pela equipe da pesquisadora Idágene Aparecida Cestari, se mostrou bastante acima das expectativas, não apenas por sua função prática, mas também pelo fato de não ser uma solução de custo proibitivo.

coração artificial

Ao contrário, o custo de produção do órgão é plenamente de acordo com a realidade brasileira, o que abre portas para que a solução seja disseminada para outros hospitais e regiões do país. A solução e sua devida patente ainda podem render muito para a saúde brasileira caso o coração artificial brasileiro seja comercializado em outros países.

Salvando vidas com coração artificial

A falta de um coração tem poucos paliativos na medicina moderna. Sem o órgão responsável por bombear o sangue para todos os outros órgãos, bem como o corpo inteiro, não há muitas chances para o indivíduo portador de alguma doença ou má-formação. A situação se agrava quando os pacientes são crianças, resultando em altas taxas de mortalidade entre os pequenos.

O coração artificial desenvolvido pelo InCor prolonga não apenas a vida dessas pessoas que aguardam na fila do transplante, como também será importante no pré e pós-operatório dos pacientes que o utilizarem. Isso porque, ao manter o organismo da criança funcionando de forma correta antes do transplante, o órgão sobressalente também evita que outros problemas sejam causados em virtude do bombeamento deficiente de sangue, como a parada de outros órgãos ou sequelas cerebrais por falta de oxigênio.

Pacientes mais fortes e saudáveis também terão mais chances de sobreviverem à cirurgia e a terem uma recuperação mais rápida e eficaz.

Espera-se que o coração artificial pediátrico, como o novo dispositivo vem sendo chamado, diminua a taxa de mortalidade entre crianças que já nascem com algum problema no coração. Dados da Sociedade Brasileira de Pediatra indicam que em cada mil bebês nascidos vivos, dez podem apresentar malformações congênitas e, desses, dois têm cardiopatias graves.

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Prêmio Péter Murányi

O desenvolvimento do coração artificial pediátrico rendeu ao InCor e à equipe de pesquisadores o prêmio Péter Murányi do ano de 2015 por sua notável contribuição à saúde brasileira e mundial.

O prêmio é distribuído anualmente pela fundação e em 2018 chegará à sua décima oitava edição. Para conquistá-lo na área da saúde, o coração artificial precisou se enquadrar nas regras que permeiam o prêmio, ou seja, ser indicado por uma instituição ligada à área e que faça parte do colégio indicador – além disso, deve levar em conta os critérios do edital e formulário de participação, bem como se o trabalho indicado é realmente inovador, tem aplicabilidade prática e melhora a qualidade de vida das pessoas situadas abaixo do paralelo 20 de latitude norte.

Queremos saber agora a sua opinião sobre o coração artificial pediátrico, a melhoria que o seu uso pode propiciar para a vida de tantas crianças que estão sofrendo na fila dos transplantes e sobre a repercussão do prêmio Péter Murányi dado ao InCor e à equipe de pesquisadores responsável por essa inovação tão relevante para a área da saúde.

 

controle automatizado


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