2017-08-01

Afinal, o que é “segurança do paciente”?

Você deve estar imaginando que segurança do paciente é a presença de pessoas armadas na porta do hospital, mas não se trata disto. Vamos entender como ela funciona? . Um paciente seguro é aquele que recebeu todos os cuidados necessários para que fossem minimizados, ao máximo, os riscos envolvidos na assistência de saúde prestada a ele.

Mais do que um manual de boas práticas, é uma preocupação que já envolveu a esfera governamental. Isto porque em 2013, foi lançado o programa nacional de segurança do paciente, instituído pela Portaria GM/MS nº 529/2013,  com o intuito de reduzir danos causados por erros, procedimentos incorretos e outros desvios no atendimento.

Infelizmente, erros e acidentes trazem grandes prejuízos ao sistema de saúde, seja ele público ou privado. As consequências são as mais variadas indo de um incômodo passageiro até complicações extremamente graves como sequelas permanentes ou morte do paciente, nos piores casos.

Por essa razão, foram criados protocolos básicos de segurança para atendimento, como veremos a seguir.

segurança do paciente

6 protocolos da segurança do paciente

São seis os protocolos de segurança que devem ser seguidos por todos os hospitais, clínicas e outras instituições de saúde. A premissa básica é a de fornecer diretrizes para evitar desvios de conduta, que possam prejudicar o paciente em um atendimento, durante um procedimento ou mesmo ao longo de um tratamento. Veja:

    • → Identificação do paciente:

      Pode parecer simples que cada paciente esteja identificado corretamente, mas é extremamente um problema comum que a equipe faça administração de fármacos erroneamente, tratamentos inadequados e até cirurgias em pessoas ou no local errado.

      Isso pode ser causado por uma distração de um funcionário, pressa a grande quantidade de trabalho, sistemas defeituosos, pacientes com mesmo nome, ou mesmo por erros na separação ainda na farmácia do hospital.

      O protocolo estabelece procedimentos de identificação, os quais vão desde o próprio paciente até todos os equipamentos que serão utilizados. Além disso, recomenda-se a realização da checagem de todos os procedimentos para garantir a segurança do paciente.

      Para isso, são utilizadas pulseiras de identificação; quando o paciente está em condições, pede-se para que diga seu nome e data de nascimento ou nome da mãe, e muito mais.

      Principalmente os hospitais particulares, já adotaram sistemas e softwares que agilizem o processo, através da liberação de materiais e medicamentos por códigos de barra.

 

    • → Prevenção de úlcera por pressão:

      Problemas de pele causados por tratamentos prolongados e que exigem a permanência do paciente no leito são comuns, principalmente em idosos e internados na unidade de terapia intensiva.

      Imagine o paciente que deve ficar deitado por dias (ou mesmo meses) em uma mesma posição, emagrecendo e com a movimentação limitada. É de se esperar que regiões que contenham proeminências ósseas “perfurem” as camadas da pele, facilitando o surgimento das úlceras.

      O protocolo visa à criação de rotinas que previnam essas lesões, já que elas podem evoluir para quadros mais graves, como infecções severas. Elas podem colocar em risco a segurança do paciente, e por isso, devem ser prevenidas.

      Para isso, recomenda-se a equipe de enfermagem que mude a posição do paciente no leito, pelo menos, a cada duas horas – tempo comprovado e recomendado por estudos, como ideal para prevenir as úlceras de decúbito (ou pressão).

 

    • → Segurança no prescrição, uso e administração de medicamentos:

      Além da identificação correta do paciente, medicamentos precisam levar em conta uma série de fatores antes de ser administrados, como o sexo, peso, altura e outros dados do paciente, além de alergias e outros fármacos já administrados.

      Por este motivo, além de preencherem fichas no momento da admissão hospitalar, os pacientes podem ser questionados novamente sobre sua história médica pregressa.

      Outro fator importante é garantir que as aplicações dos medicamentos sejam feitas apenas uma vez, o que é assegurado pela burocracia existente no momento de liberá-los na farmácia.

      Erros médicos e farmacológicos podem colocar a condição do paciente em risco, resultado em graves complicações ou mesmo a morte.

    • → Cirurgia segura:

      Cirurgias costumam envolver algum tipo de risco, por isso precisam ser realizadas cumprindo os mais rígidos padrões de segurança. Dentre as exigências, visa-se a manutenção da segurança do paciente, através de:

      • Garantia que é o paciente correto;
      • Segurança que será feito o procedimento certo, e no local correto;
      • Higienização adequada, envolvendo desde a lavagem de mãos da equipe até a paramentação dos que entrarem em campo;
      • Anestesia direcionada às condições de saúde do paciente;

      E muito mais!

      Tudo isso é para evitar que existam erros de procedimento, como exemplo, a retirada de um rim do paciente errado. Ou ainda, erros absurdos e que ocorrem frequentemente, como a amputação da perna errada.

      Com isso, tanto paciente como médico saem ganhando, pois além de minimizar os danos à saúde, o profissional também conta com um amparo legal, no caso de processos judiciais.

    • → Prática de higiene das mãos em serviços de saúdes:

      Pode parecer óbvio, mas mãos sem higienização são potenciais causadoras de complicações infecciosas, e podem representar um risco grande à segurança do paciente.

      Além disso, a disseminação de “patógenos” pelo ambiente hospitalar é um perigo, pelo fato de um profissional, por exemplo, estar no centro cirúrgico e minutos depois tocar um paciente que se encontra na enfermaria.

      Protocolos estabelecendo a forma e a frequência correta para lavar as mãos, podem fazer a diferença em serviços de saúde.

      Outra forma eficiente de garantir a higiene das mãos é espalhando frascos de álcool gel por todo o hospital, principalmente nas portas e quartos dos pacientes.

      Sendo assim, não há mais desculpa para não adotar tal prática!

 

  • → Prevenção de quedas:

    As quedas de pacientes hospitalizados é muito frequente, devido a condição de saúde que o mesmo se encontra. Podem ocorrer pela hipotensão postural, tonturas, e diversos outros sintomas que são uma consequência do decúbito prolongado, efeito adverso de medicamento, ou mesmo decorrente da fraqueza e hipoglicemia.

    Este protocolo visa o ensino aos profissionais da saúde e até familiares a realizarem o transporte e manuseio dos pacientes da forma mais segura, evitando assim lesões e traumas causados pelas quedas, algo que pode interferir de forma grave na segurança do paciente.

    Além de fornecer equilíbrio no momento em que o paciente levanta-se da cama e caminha, é essencial tornar o quarto ou enfermaria ambientes viáveis, retirando objetos que possam causar tropeçamentos ou “falsos apoios”.

 

Como é a aplicabilidade de tais protocolos?

Todas estas normas precisam ser seguidas por toda a equipe hospitalar, desde o corpo médico até funcionários de áreas marginais, familiares e acompanhantes.

redução dos eventos que afetam a segurança do paciente é um dever de todos quando dentro de uma instalação médica, seja ela um hospital, clínica ou consultório.

Para uma implantação eficiente, são necessários treinamentos com a equipe, trabalho com metas e recompensas. O diálogo e a equipe multidisciplinar, quando alinhados, conquistam excelentes resultados.

Buscar auxílios tecnológicos quando o assunto é controle de medicamentos e procedimentos, identificação de pacientes e segurança de informações, é uma excelente medida. Além de trazer segurança e conferir confiabilidade ao serviço, softwares e programas agilizam todos os processos burocráticos.

 

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