atendimento-mais-medicos

Programa Mais Médicos: revalidação de mais três anos

Quem nunca bateu na porta de uma unidade de Saúde Básica, em busca de uma consulta e voltando com o “acabou as fichas” ou “sem médico”?

Você já deve ter acompanhado pela televisão aquelas longas filas para consulta, não é?

Em 2013, estávamos alcançando números alarmantes de consultas e de atendimento médico em geral, filas gigantescas e escassez de mão de obra qualificada, tornando-se o calcanhar de Aquiles do Governo.

A mídia internacional pintava o país como um terceiro mundo de pobreza, contando com falta de auxílios básicos, ficando atrás apenas de países mais pobres.

Então, há 3 anos é criado o programa Mais Médicos, com o objetivo altruísta de encurtar as filas médicas e de melhorar o quadro de atendimentos nas unidades básicas.

maismedicos

O Programa Mais Médicos foi um projeto desenvolvido pelo Governo Federal, em parceria com os estados e municípios, visando aumentar o número de médicos na rede pública de saúde.

Um dos diferenciais deste programa é que não abrange apenas profissionais brasileiros, mas abriu um leque de oportunidades para estrangeiros, principalmente aqueles vindo de países em zona de crise econômica, que buscavam, além de um refúgio, um ambiente financeiro estável.

Houve um investimento considerável, tanto na qualificação dos profissionais que participam do programa como em reformas para as Unidades Básicas de Saúde cadastradas. As universidades também foram beneficiadas com o aumento das vagas para estudantes de medicina.

reservaindigenadoisO programa Mais Médicos visa estender seus braços não só para o atendimento aos pacientes da saúde pública, mas também para que este atendimento seja de qualidade. Para tanto, houve alterações no ensino das universidades, mantendo a esperança de que em 2026 as primeiras turmas residentes se formem conforme o escopo do programa, mostrando sua eficácia tanto em atendimento como em qualidade.

Prós e Contras

O programa inova na questão da moradia de quem vai atender os pacientes, relacionando os profissionais cadastrados que residam nas cidades mais necessitadas. Quase um pré-requisito. Ou seja, um problema informado pelas prefeituras será de que os médicos acabavam não preenchendo as vagas nos municípios devido ao fato de terem que morar perto do local de trabalho para realizar um atendimento integral. Por conta do distanciamento das regiões, a escassez de mão de obra qualificada era muito alta.

O CFM alega que, para sanar este problema e evitar que estrangeiros tomem as vagas de brasileiros, o Estado em si poderia criar planos de carreira, como os existentes para funcionários públicos, tais quais promotores e juízes. Sendo assim, através de concursos poderiam levar mais médicos para as cidades mais necessitadas.

Acredita-se que o profissional da área médica possa aceitar a mudança de residência, uma vez que terá a chance de uma carreira estável, sendo com isso capaz de sustentar sua família e progredir em seu trabalho.

medicos cubanosO programa Mais Médicos uniu o útil ao agradável, cadastrando profissionais de outros países – como Cuba, por exemplo. Não havendo a negativa de moradia nos locais de maior necessidade e junto com a garantia de investimento em qualificação, consequentemente a fila de atendimentos diminuiu drasticamente.

Hoje, quase 80% dos médicos cadastrado são cubanos. Dois anos após o início do programa, foi realizada uma avaliação tanto de qualidade como de quantidade de atendimentos.

atendimento-indigenasAno passado, foi registrado que quase 73% dos municípios brasileiros foram beneficiados com o programa. O que era antes considerado como raro, hoje pode ser considerado como normal, pois boa parte dos municípios atendidos tem um médico que trabalha e reside na própria cidade.

Podemos dizer que, em relação à quantidade, tivemos um aumento no número de bolsistas no programa Mais Médicos. No seu início, a previsão era de 10 mil cadastrados. Até o ano passado, tínhamos mais de 18 mil e em avaliação mais 10 mil vagas para serem criadas.

Podemos dizer que é um programa de sucesso, certo? Mas nem tanto.

Destacou-se uma queda na qualidade dos atendimentos, no quesito satisfação por dois motivos:

  • Estrutura: A população de diversos municípios alega que, mesmo com a chegada de mais médicos, sem a estrutura básica necessária, como remédios e exames, o atendimento acaba sendo comprometido, mesmo não sendo culpa do programa e sim do respaldo do Estado em si.
  • Educação: No começo do programa, houve muitas críticas referentes à educação, principalmente dos profissionais cubanos. Muitas entidades brasileiras contestam o fato de um médico cubano não precisar revalidar seu diploma no país, dentro de nossas normas. E isso pode ser considerado um risco à saúde pública.

Alguns alegam que a falta de fiscalização neste setor pode acarretar sérios problemas nas unidades de saúde, pois não sabemos o grau do conhecimento geral do profissional e, assim, não podemos atestar se está apto ou não para desempenhar sua função com excelência. E nos bastidores corriam boatos de que Cuba teria o pior sistema de saúde do mundo, além dos problemas políticos pelos quais a ilha passava.

Para minimizar este problema, o programa Mais Médicos realizou várias mudanças, tanto na formação acadêmica do profissional em relação ao curso, como para os estrangeiros.

Os profissionais estrangeiros passaram a ter um acompanhamento de três anos por uma universidade, e seus diplomas revalidados ao entrarem no programa.

Para os profissionais brasileiros, foi adicionada uma extensão na residência que se chama Medicina Geral de Família e Comunidade, com o intuito de aproximar o futuro profissional da população, aumentando o contato com a realidade de sua profissão e das necessidades do povo.

O programa foi amplamente criticado, tanto por instituições brasileiras como pelo conselho de medicina. Este debate incansavelmente que, se houvesse melhores oportunidades em nosso país, profissionais estrangeiros não teriam sido necessários, o que leva à discussão também os problemas salariais que a classe em si enfrenta.

E, por fim e não menos importante, o conselho alega também que o programa é uma fachada para regime escravagista destes médicos, trabalhando com salários inferiores, em condições críticas, sem estrutura e sem a educação necessárias para enfrentar certas situações no dia a dia, que apenas queriam fugir do regime rígido e da economia precária de Cuba.

Falando nisso, “cadê o dinheiro que tava aqui”?

No começo do programa, o valor pago para um médico cubano foi de U$ 1.260,00 dólares aproximadamente. Hoje, passou a U$ 840,00 dólares. O governo alega que, após medida preventiva assinada com o governo de Cuba, um dos pontos que permitiria os médicos serem enviados seria que um valor x do salário fosse repassado para Cuba.

A pressão do governo de lá por esses valores é tanta, que houve casos em que profissionais desistiram de continuar sua carreira no país sob a pressão de voltar com a família para a ilha.

Muitos pontuam que os médicos cubanos em si não estão estruturados adequadamente para o exercício da função plena, tendo em muitos casos erros e falhas em diagnósticos, sendo muitas vezes amparados em consultas por médicos brasileiros. Leva-se em conta que o acompanhamento de universidades nada mais é do que o acompanhamento de profissionais da área de saúde brasileira junto aos estrangeiros, tornando essa ação uma espécie de apadrinhamento, o que muito revolta estes profissionais.

E se não fosse o bastante, ainda temos a nova extensão que é confrontada por estas mesmas instituições, alegando que isso pode prejudicar a educação de qualidade destes profissionais, aumentando em 2 anos a formação em medicina.

Além de que, mesmo com metas altruístas de tocar o coração para as necessidades do povo, seria uma tática do governo para encontrar assistência quase de forma gratuita nestes 2 anos, tentando solucionar um problema criando outro.

Entre muitos dilemas, a obrigatoriedade da extensão é válida apenas a partir de 2018. O programa foi postergado por mais três anos, e a famosa extensão corrobora ainda mais um dos aspectos debatidos do programa: hoje um médico demora aproximadamente 6 anos para se formar e mais 2 anos de residência. Então, as novas turmas no novo escopo de que falamos lá em cima só ficam prontas em 2026. E o Governo parte do princípio de que um município de 10 mil habitantes não pode depender de apenas 1 médico. Aí entra a chamada do programa Mais Médicos.

Sejamos Francos

O programa Mais Médicos é uma forma altruísta de se conseguir minimizar um problema que estava tomando proporções gigantescas no país.

Mesmo com os debates e críticas, até hoje nosso Brasil não viu em tão pouco tempo uma revolução de atendimento tão grande, independente da revalidação do diploma ou não.

Antes do programa, enfrentávamos escassez de profissionais, onde a maioria que se formava ia em direção aos atendimentos particulares ou se aglomerava nos grandes centros, deixando as regiões mais carentes à mercê de todos os tipos de doença.

O programa chegou e, em menos de 5 anos, conseguiu preencher 20 mil vagas, que sem ele não seriam preenchidas. As filas continuam grandes e os atendimentos precários devido à falta de estrutura, mas não podemos cuspir para cima.

Tínhamos um problema: mais pessoas precisando de médicos do que médicos disponíveis. E o programa solucionou 73% deste problema.


Deixe uma resposta