2017-01-18

Hospital sem papel, Dr. Digital

A tecnologia vem mudando rapidamente a forma como realizamos negócios, compras, comunicações e até relacionamentos. Mas será possível um hospital sem papel?

Pense como é a nossa rotina nos dias atuais. Não vamos mais ao banco para pagar contas, não vamos ao correio mandar cartas e, praticamente, não vamos às lojas fazer compras.

Tudo isso foi substituído por processos virtuais mais modernos e eficientes do que os antigos procedimentos em que o papel tinha “papel” decisivo em todas as transações.

Mas, isso muda quando vamos ao médico, ao hospital ou realizar um exame. Formulários precisam ser preenchidos por nós e por todos os profissionais da saúde a cada passo do atendimento. Depois nos dirigimos à farmácia onde o profissional precisa decifrar o receituário, papel que se for extraviado, exige uma nova consulta apenas para pegar outro com assinatura e carimbo do profissional.

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O caminho para o hospital sem papel

hospital sem papelO hospital sem papel é um sonho antigo que vem, aos poucos, tornando-se realidade. O prontuário eletrônico do paciente (PEP) é a principal ferramenta nessa revolução tecnológica pela qual a saúde está passando.

Um arquivo digital substituiu o antigo formato em papel, mas, para isso, foi necessário criar um padrão, assim um hospital sem papel pode se comunicar com outro sem que haja grandes empecilhos nessa comunicação.

O formulário em papel funcionou bem durante muitos anos, mas suas desvantagens se tornaram um problema nos dias atuais. O papel tem baixa mobilidade, pois exige a presença física para consulta de seu conteúdo. Ele também se deteriora naturalmente, por exemplo, ao rasgar um receituário, perde-se parte da informação contida nele.

O mesmo acontece com as cópias, em geral carbonadas, cuja vida útil é baixa. O papel também pode ser extraviado, perdido ou, pior do que isso, ser falsificado.

Digital

O hospital sem papel será possível quando, entre outras medidas, o prontuário eletrônico de paciente estiver funcionando em sua totalidade. Com ele:

  • » É muito mais fácil acessar as informações, não importando a distância física;
  • » O arquivo digital não está sujeito ao envelhecimento;
  • » É muito mais difícil de ser falsificado.

Vistas as vantagens claras do sistema digital, faltava um empurrãozinho para que ele se tornasse realidade em nosso país. Isso se deu por conta do CFM (conselho federal de medicina) com a resolução 1.638 de 2002, a qual afirma:

“Um documento único constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação entre membros da equipe multiprofissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo”.

Alterações foram realizadas em 2007 por meio da resolução 1.821 em que o CFM autoriza o hospital sem papel a utilizar se de sistemas informatizados. Também ficou definido o prazo de 20 anos para arquivamento dos atuais prontuários em papel.

Certificado Digital

Ao se desenvolver e implementar o prontuário eletrônico para o hospital sem papel, logo surgiu um problema. Papéis sempre foram usados por sua validade como documentos. Assinaturas e carimbos são algo corriqueiro para se definir quem se responsabiliza pelos procedimentos ali descritos.

Neste sentido, o carimbo de um médico contém o número da matrícula do mesmo, o chamado CRM como é conhecido. Este é uma prova de que o profissional é autorizado pelo conselho regional de medicina a exercer sua profissão, além de ser um dado importante que deve conter em documentos hospitalares.

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Logo, a solução para o que se viu como empecilho, ou seja, a ausência dos carimbos médicos, também nos é trazida com auxílio da tecnologia. No hospital sem papel, é o certificado digital quem irá garantir os documentos virtuais.

O certificado digital equivale a um carimbo médico, com a vantagem de que é bem mais difícil de falsificar do que um carimbo comum ou uma assinatura. Ele também possibilita que um mesmo documento seja assinado por um profissional, mas contenha adendos feitos por outro, cada um com suas autorias explícitas e respeitadas.

Isso será muito importante já que o prontuário do paciente poderá ser compartilhado por diferentes profissionais de uma mesma instituição ou, até mesmo, transferido para uma instituição diferente.

Espera-se que, no futuro, esse documento possa conter toda vida médica de um paciente, desde os dados básicos como tipo sanguíneo, alergias ou características físicas, como também estejam outros, os quais possam ser utilizados até o final da vida. Ainda há muito a fazer, mas o hospital sem papel veio para ficar e isso é bom para todos nós.

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