Por que 1/3 dos hospitais brasileiros são privados? Como o povo ganha com isso?


Na hora de receber atendimento médico, a maioria dos brasileiros prefere que isso aconteça em hospitais privados.

O quadro é diferente de outros países mais desenvolvidos e mostra um retrato bastante fiel de como se encontra a saúde brasileira. Em teoria, é função do governo, entregar à população atendimento gratuito e de qualidade, mas como isso não acontece, as pessoas migram para o serviço privado, graças à sua maior produtividade.

Qualidade

A maioria das pessoas está disposta a abrir mão de produtos ou de serviços quando é preciso economizar. Mas o quadro se inverte quando é a saúde dos familiares que está em jogo. Os hospitais privados conseguem transmitir confiança à população, enquanto os públicos são notícia diariamente pelo descaso com que são tratados pelas autoridades.

Atendimentos melhores e mais rápidos são os principais motivadores para o crescimento da saúde privada no país. O que antes era uma exclusividade da parcela mais rica da população, estende-se da classe média até às mais baixas, as quais são beneficiadas por planos empresariais ou por cooperativas.

Os hospitais privados cresceram em número, na abrangência territorial e na quantidade de pacientes atendidos. O desafio agora é manter a qualidade sem extrapolar os custos, além de concorrer no mercado.

Gestão pública ineficiente

Anos e anos de descaso e incompetência e, o pior de tudo, corrupção, deixaram a saúde pública em estado de calamidade. Basta abrir o jornal ou ligar a tevê para se deparar com notícias chocantes, porém corriqueiras, de pacientes morrendo por falta de atendimento ou em virtude de procedimentos errados, corredores cheios de pacientes em macas ou cadeiras por falta de leitos disponíveis e outros absurdos.

Hospitais Privados

O problema atinge o país inteiro. Mesmo estados mais ricos enfrentam o caos em suas redes de saúde. Profissionais mal remunerados e que não recebem em dia, aparelhagem obsoleta e sem manutenção adequada, falta de insumos básicos como medicação e instrumentos de uso diário, fazem com que cada vez mais pessoas troquem os hospitais públicos pelos hospitais privados.

Falta dinheiro, diriam alguns, mas a verdade é que ele existe. O Brasil é um dos países campeões mundiais na coleta de impostos. Por outro lado, é um dos piores na administração desses recursos.

Os recursos que deveriam chegar aos hospitais se perdem pelo caminho, escoado pelos ralos da corrupção promovida pelos políticos, mas também, pelos empresários, por parte de profissionais da saúde e de todos que conseguem se apoderar de uma fatia desse montante.

A opção

Os hospitais privados se tornaram a opção de quem consegue fugir do atendimento público. Quando se faz uma entrevista de emprego, hoje, o candidato já quer logo saber se a empresa oferece um plano de saúde para ele e sua família.

O próprio governo vem admitindo sua incompetência em gerir a saúde e tem preferido recorrer às privatizações a ter que administrar sozinho os centros de saúde. Hospitais privados surgem de cooperativas ou são mantidos por empresas especializadas e conseguem se sustentar bem melhor do que seus similares administrados pelo governo.

A maior procura e a melhor qualidade de atendimento fizeram com que a rede particular crescesse em demasia e deixasse de atuar com excelência. A lacuna deixada pelo governo foi tão generosa que a rede particular também passou a oferecer serviços ineficientes em alguns casos.

O governo resolveu então investir em políticas para regulamentar a saúde privada. Por meio da ANVISA e de outros órgãos regimentais, o poder público vem se tornando apenas um fiscal, cobrando das empresas a qualidade que ele foi incapaz de entregar.

Hospitais Privados

Os desafios dos hospitais privados

Os hospitais privados, assim como toda a rede privada de atendimento, encontram-se diante de um processo de adaptação. Acostumados a atender apenas as faixas mais abastadas da população, eles precisaram se transformar para acomodar o imenso volume de pacientes que migrou da esfera pública.

Assim, as margens de lucros tiveram que ser reduzidas, os custos foram cortados, para sobreviver frente ao menor poder aquisitivo dos novos pacientes e às regras rígidas impostas pelo governo, isto sem contar a necessidade de adaptar-se à concorrência interna no setor.

Se este é o caminho certo a seguir, somente o tempo vai dizer. A população continuará buscando melhores serviços de saúde, mesmo que sacrifícios precisem ser feitos. Os empresários e os gestores dos hospitais privados precisarão ser cada vez mais criativos e competentes para manterem a qualidade e a lucratividade do setor.


 

gestao opme


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