2016-11-24

Quem foi o grande vilão do mercado de saúde em 2016

2016 não foi um ano fácil para o mercado de saúde. As crises econômicas e políticas criaram uma atmosfera de desconfiança entre os investidores e custos precisaram ser cortados.

A falta de definição sobre a permanência ou não da presidente Dilma e quais seriam as direções tomadas pelo governo que a substituiu deixaram o mercado de saúde em estado de espera em 2016. O panorama só se alterou após a metade do ano.

Apesar de ser uma necessidade de primeira grandeza, a saúde precisou ser colocada de lado por pessoas e empresas atingidas pelas consequências da crise econômica.

Boas e más notícias surgem entre os principais indicadores do setor. Entre as boas está o crescimento da conscientização da população em relação à saúde. Elas estão mais precavidas e procurando se informar mais a respeito da própria saúde.

Entre as más está a regressão no número de pessoas atendidas pelos planos particulares. Houve queda no setor durante o ano que está chegando ao fim.

mercado de saúde

Planos de saúde caem

Relatório divulgado pelo IBGE mostra que houve queda no número de pessoas associadas aos planos de saúde em 2016. O mercado de saúde foi diretamente atingido pela crise que diminuiu o número de empregos formais no país.

Como a maioria dos planos é empresarial, muitas pessoas perderam acesso ao benefício juntamente com os seus trabalhos e passam agora a depender do SUS.

Falta aos provedores de planos de saúde uma política eficaz para oferecerem planos particulares acessíveis à população sem que prejudiquem suas operações. Uma equação que governo e administradoras ainda tentam resolver.

O setor cresceu em números absolutos, atendendo mais pessoas no total em relação ao ano anterior, mas é um crescimento artificial, já que a porcentagem da população atendida caiu de 25,8% em 2015 para 25% em 2016 segundo os indicadores do governo.

Epidemias e campanhas

2016 também foi um ano complicado para a saúde por causa das epidemias que assolaram o país. Dengue, Zica e Chikungunya continuaram a aumentar a procura da população por atendimento ambulatorial e de emergência, causando dificuldades para o mercado de saúde.

A superlotação atingiu tanto a rede pública quanto a rede privada elevando os custos e deixando prejuízos pelo caminho. Ao menos, houve uma ligeira melhora no panorama com o anúncio do desenvolvimento de uma vacina contra a dengue.

O ano também mostrou o fortalecimento das campanhas de conscientização. Indicadores apontam para o crescimento de programas como o outubro rosa e o novembro azul. Uma boa notícia sobre o comportamento da população, mais preocupada com a saúde preventiva do que em anos anteriores.

Medicamentos crescem

Nem todos os setores do mercado de saúde foram atingidos pela crise em 2016. O setor de medicamentos continua a registrar crescimento, assim como vinha acontecendo nos últimos anos.

Essa ampliação do mercado de fármacos é explicada pelo crescente investimento governamental no setor. Indicadores permanecem mostrando crescimento na casa dos dois dígitos e apontam tendência à evolução contínua no próximo ano.

Os programas governamentais de compra e distribuição de remédios para a população através da rede pública movimentam montante anual equivalente a 9% do PIB do país. Em 2016 houve acréscimo na lista de medicamentos oferecidos por esses programas. Em 2010 a lista continha 550 itens e esse número chegou a 844 em 2016.

São boas notícias que contrastam com a incapacidade do mercado e do governo em regular o preço dos medicamentos nas farmácias. Pesquisas apontam para variações de até 170% entre o preço de um mesmo tipo de medicamento de marca em relação ao mesmo remédio genérico.

Futuro

Espera-se que o próximo ano seja um pouco menos tempestuoso do que foi 2016. Com a definição do governo e o resultado das eleições municipais, 2017 deve apresentar uma recuperação do mercado de saúde.

Apesar disso, ainda há muita desconfiança do mercado e de seus investidores. O terreno que deve ser recuperado ainda deverá ficar aquém daquilo que o setor esperava, em um cenário de dificuldades e muita contenção de custos.

2017 deverá ser um período de confirmações, com os investidores retornando de forma contida ao mercado. É a hora de os profissionais do mercado de saúde prepararem uma base firme para crescer o suficiente para suportar novas tormentas, caso elas apareçam.

Agora que você já conhece o grande vilão de 2016, o que acha de conhecer agora nosso futuro em 2017?

E não se esqueça de nos contar sua opinião ou experiência nos comentários. Até a próxima!


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