2016-12-12

Gestão de OPME – Panorama nacional

A gestão de OPME (órteses, próteses e materiais especiais) é um dos maiores desafios enfrentados pela saúde brasileira, esteja ela no âmbito público ou privado do panorama nacional.

A questão do OPME no Brasil vem chamando atenção dos gestores da área médica e tem deixado de ser vista apenas como outra tarefa do dia a dia para se tornar uma área de atuação.

Aproveitando-se da carência do mercado, surgiram empresas especializadas na área. Elas estão oferecendo soluções para ajudar a administrar esse problema e lucrando com isso. Oferecem desde equipamentos e software para o controle dos materiais até profissionais formados ou treinamentos para quem desejar se especializar.

Tudo isso chega ao mercado porque o panorama nacional ainda é de desorganização, improvisos e custos altos. O objetivo que a gestão de OPME busca é facilitar as atividades diárias, agilizar os processos de OPME no Brasil, gerenciando melhor os custos e diminuindo o índice de problemas e contestações entre as partes envolvidas.

gestão de opme

Panorama

A gestão de OPME traz muitos desafios para os administradores, uma vez que grande parte do processo ainda se encontra nas mãos de terceiros. Fornecedores, médicos e até pacientes exercem influência na hora de decidir o material a ser utilizado, transformando o panorama nacional em uma situação que carece de atualização.

Pacientes, por exemplo, estão muito mais bem informados que em épocas anteriores. Com o auxílio da internet, eles interferem na escolha dos materiais e dos métodos utilizados, aumentando a necessidade de trabalhar com uma maior variedade de materiais.

Os médicos também têm sua parcela de culpa no gerenciamento de OPME no Brasil. Preocupados em utilizar os melhores e mais modernos equipamentos e as técnicas de ponta, eles raramente olham para os custos envolvidos, puxando ainda mais para cima a pesada conta a se pagar.

Fornecedores também trazem problemas. Eles estão dentro dos hospitais, influenciando médicos e outros tomadores de decisão a optarem pelos seus produtos, sem necessariamente de se encaixarem nas normas de cada local ou naquelas determinadas pela ANVISA (Agência Nacional de Saúde).

O problema dos custos

Há quem diga que, quando se trata de saúde, não se deve olhar o custo. Essa verdade pode funcionar razoavelmente bem quando nos preocupamos com o nosso próprio bem-estar, mas não pode ser aplicada na gestão de OPME.

Em um mercado que movimenta cerca de R$20,5 bilhões ao ano distribuídos em 61% pela saúde pública e 39% pela saúde suplementar, é preciso fazer algo para fazer a conta fechar sem que haja prejuízo aos tratamentos.

O panorama nacional indica uma alta de cerca de 120% nos custos do OPME no Brasil, sendo que grande parte dessa alta é influenciada pela variação cambial desfavorável. Mas existem outros problemas: um deles é a variação regional de preços. Um mesmo produto pode variar muito de valor quando cotado em diferentes regiões do país. Vejamos o caso de um marca-passo CDI: ele pode ser adquirido por cerca de R$34 mil na região Sul, mas pode ser encontrado por R$65 mil na região Norte. Por mais que haja necessidade de transporte, essa diferença é completamente injustificável.

Soluções

A gestão de OPME visa criar estratégias para comprar melhor, armazenar corretamente e utilizar da maneira certa. Para facilitar a compra e promover uma concorrência justa entre fornecedores de OPME no Brasil, está sendo solicitado à ANVISA que promova uma padronização na área. A ideia é que o órgão disponibilize o nome técnico com o registro do produto e que as tabelas nacionais sigam os padrões já adotados internacionalmente.

Para armazenar corretamente o panorama nacional, é preciso trabalhar com sistemas de tagueamento para rastrear materiais desde o fabricante até o usuário final. Esses sistemas estão sendo adquiridos em larga escala pelos gestores preocupados em administrar melhor seus OPME e serão ferramenta obrigatória em um futuro próximo, seja por exigência governamental ou do próprio mercado.

Para utilizar corretamente os materiais, há a necessidade de treinamento e informação. Não apenas médicos, mas todos os envolvidos na cadeia que envolve a gestão de OPME precisam estar cientes dos desafios e preparados para enfrentá-los.

O OPME no Brasil passa também a olhar para o bom exemplo que vem de mercados mais desenvolvidos. O panorama nacional ainda esbarra em legislações problemáticas, na falta de fornecedores nacionais e na ganância de profissionais inescrupulosos.

Muito há ainda a ser feito, o que pode ser visto como bom para gestores de OPME realmente interessados em mostrar resultados.

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Quer conhecer um pouco mais na área de saúde? Veja esse post sobre segurança de dados nos hospitais. Até a próxima!


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Um comentário em “Gestão de OPME – Panorama nacional

  1. Boa tarde, estou escrevendo um artigo científico e gostaria de citar o autor do presente artigo e de outros elencados abaixo:

    O processo de compra e Gestão de OPME do século XXI

    A realidade da Gestão de OPME ‘s

    Gestão de OPME – Panorama nacional

    Fico no aguardo.
    Grato.

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