2017-11-21

Crescimento do consumo de OPME no Brasil

O assunto OPME (órteses, próteses e materiais especiais) tem dado bastante dor de cabeça para gestores do setor da saúde nos últimos anos.

Isso acontece porque essa é uma área em crescimento, graças à evolução tecnológica e à maior preocupação das pessoas com a própria saúde. O problema a ser administrado quanto ao consumo de OPME ainda é o alto custo demandado pela compra, armazenagem e utilização correta desses materiais.

Outro problema é a falta de uma definição sobre o assunto. O governo vem, desde o longínquo ano de 2010, tentando implementar uma legislação que regule o controle destes materiais, mas esbarra nos interesses de hospitais, médicos, importadores, fabricantes e distribuidores, além, é claro, da própria incompetência dos governantes ao tratar o assunto.

O consumo de OPME

A necessidade por mais consumo de OPME gerou o aparecimento de mais concorrência no setor. Existem hoje no Brasil cerca de 3.600 empresas operando entre fabricantes, importadores e distribuidores – sendo que a maioria delas é formada pelas de pequeno porte.

Para se ter uma ideia do quanto esse mercado cresceu, a taxa de crescimento entre os anos de 1999 e 2008 foi de 44%, números que continuam a aumentar. Apesar de essa taxa se referir ao consumo de OPME em geral, se pegarmos apenas os implantes no período entre 1999 e 2014, temos um aumento de expressivos 249%, mostrando um comportamento que se repete em outros setores da saúde (como o odontológico, que apresentou crescimento também expressivo de 184%).

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Faturamento

Sendo um dos setores que mais apresentaram crescimento, é também esperado que o consumo de OPME tenha gerado faturamento. O mercado de OPME no Brasil movimentou em 2014 a soma de R$ 19,7 bilhões, sendo que o subsetor de implantáveis movimentou sozinho 20% desse montante, ou seja, R$ 4 bilhões.

Outra forma de se medir esse aumento no consumo de OPME é pela quantidade de novos produtos cadastrados. Enquanto nos Estados Unidos, principal mercado mundial do setor, são cadastrados cerca de 8.000 novos produtos todos os anos, a média brasileira é de 14.000 novos produtos todos os anos.

Claro que isso não significa que o nosso mercado interno está superando grandes centros como o americano e os europeus, mas indica que a grande defasagem existente entre nós e eles está diminuindo em passos largos.

Crescimento podia ser ainda maior

Os números aqui mostrados podem parecer animadores à primeira vista, mas é importante frisar que muito ainda precisa ser feito.

O primeiro problema é que, devido ao alto custo dos OPMEs, eles não chegam a uma grande parcela da população – que não é atendida pelos convênios particulares ou fica negligenciada pelo atendimento público.

Existe lá fora um grande potencial de marcado para o consumo de OPME e uma grande questão ética a ser discutida, já que esses equipamentos, sendo uma questão de saúde, não deveriam estar acessíveis somente às camadas mais endinheiradas da população.

Reduzir para aumentar

Órteses, próteses e materiais especiais para a prestação de serviços médico e hospitalar são produtos sociais e politicamente sensíveis, motivo pelo qual quase todos os países exercem algum tipo de controle sobre seus preços. A grande maioria dos países desenvolvidos e até alguns em desenvolvimento já adotaram e implementaram algum tipo de legislação para realizar o controle sobre o OPME.

O aumento no consumo de OPME passa por uma necessária regulamentação de preço, objetivando o acesso a medicamentos, órteses e próteses pela população. É isso que existe nas economias de mercado do mundo e o Brasil não pode se afastar dessa realidade.

Enquanto a desejada lei de controle de medicamentos e a tecnologia RFID não chega definitivamente, cabem aos gestores do setor se adiantarem ao processo e investirem eles próprios em ferramentas para o controle de OPME.

Se ainda não é possível reduzir os preços em geral, cabe a esses gestores lidar com o aumento no consumo de OPME, adotando sistemas para controlar melhor a aquisição desses produtos, bem como sua estocagem e seu posterior uso, reduzindo o desperdício e o retrabalho, para também poderem surfar a onda desse crescimento e atender adequadamente ao paciente, o maior interessado dessa intrincada cadeia de relacionamentos.

Deixe sua opinião sobre esse cenário, os problemas enfrentados e as soluções possíveis para que possamos, juntos, nos aproximar cada vez mais dos mercados mais desenvolvidos do mundo.


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